A Itália no início do século XIX não era a Itália dos nossos dias. O território encontrava-se dividido em sete Estados comandados por famílias nobres, pelo Papa ou sob o controle da Áustria.
A partir de 1852, sob a liderança do ministro piemontês Conde Camilo de Cavour, com o apoio de Mazzini e Garibaldi, a unificação foi acontecendo em etapas: a conquista da Lombardia em 1859; a anexação em 1860 de Modena, Parma, Toscana, Romagna e das Duas Sicílias.
A última etapa se dá com a conquista de Veneza do domínio austríaco e dos Estados Pontifícios em 1871. Vítor Emanuel II toma Roma. O Papa Pio IX se considera prisioneiro. Roma torna-se finalmente a capital da Itália — o final do Rissorgimento.
[ imagem ] Contexto político em tempos da unificação italiana.
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Estatísticas indicam que Piemonte, Lombardia e Vêneto forneciam, entre 1869 e 1872, 70% de toda a emigração italiana. Em algumas comunidades, a evasão chegou a 18% da população. O ano de maior êxodo foi 1878.
Não foi só superpopulação: foi miséria. A malária matava 40 mil pessoas por ano — o próprio Cavour morreu de malária. A cólera matou 55 mil entre 1884 e 1887. O analfabetismo era a regra.
“Que coisa entendeis por uma nação, senhor Ministro? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos o pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos vinho.”
[ imagem ] Itália pobre — guerras, fome, doenças.
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III
A Província de São Pedro
O Rio Grande do Sul de então — a Província de São Pedro — recebeu, entre 1859 e 1875, 12.563 imigrantes, dos quais apenas 729 italianos. A grande imigração italiana se intensifica a partir de 1876–77.
Cerca de 1,4 milhão de pessoas entraram no Brasil, em grande parte vênetos (54%), lombardos (33%), trentinos (7%) e friulanos (4,5%). Embarcavam principalmente em Genova e Nápoles.
[ imagem ] Centro de Porto Alegre, Rua dos Andradas, c. 1900.
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IV
A Criação das Colônias
A colonização italiana ocupou a Encosta Superior da Serra, entre 600 e 900 metros de altitude, nos vales dos rios Caí e das Antas — ali onde a colonização alemã não chegara.
- 1874 Dona Isabel (Bento Gonçalves) e Conde d'Eu (Garibaldi)
- 1875 Fundos de Nova Palmira (Caxias do Sul)
- 1877 Silveira Martins, próximo a Santa Maria
- 1884 Álvaro Chaves (Veranópolis)
- 1885 São Marcos e Antônio Prado
[ imagem ] Campo dos Bugres / Colônia Nova Palmira / Caxias do Sul, c. 1900.
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Em 1872 havia menos de 6 mil italianos no Brasil. Em 1876, 7 mil. Em 1880, 50 mil. Entre 1891 e 1900 a imigração atinge seu máximo: 650 mil entradas. No Rio Grande do Sul, entre 1875 e 1914, entraram entre 80 e 100 mil italianos.
Hoje o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de italianos do mundo: cerca de 32 milhões de pessoas, somados a mais de 730 mil cidadãos italianos.
[ imagem ] Mais de 1,5 milhão de italianos chegaram ao Brasil depois de 1874.
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VI
Na Colônia… A Realidade
As condições não eram, compreensivelmente, sempre boas. Não eram poucos os que passavam sérias dificuldades — desabrigo, falta de terra para cultivar, fome.
Mas tudo foi superado pela capacidade e disposição para o trabalho. Era-lhes necessária uma fibra espartana para se constituírem em pequenos proprietários. Tutti senza denaro — todos sem dinheiro.
[ imagem ] Ao chegarem à colônia, a triste realidade: começar do ZERO.
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A Lei nº 11.687/2008 instituiu o Dia Nacional do Imigrante Italiano, comemorado em 21 de fevereiro — data da chegada da expedição de Pietro Tabacchi ao Espírito Santo, em 1874.
No Rio Grande do Sul, oficializa-se 20 de maio de 1875 como o dia da chegada das primeiras famílias: Luigi Sperafico, Stefano Crippa e Tomaso Radaelli, em Nova Milano.
[ imagem ] Uma meia Itália vive no Brasil, com sua religiosidade, gastronomia e costumes.
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A viagem era feita em condições terríveis por companhias italianas que carregavam os imigrantes como animais. A lei previa 2,25 m³ por emigrante — não era cumprida. Cólera, crupe, tempestades, alimentação de péssima qualidade.
Em novembro de 1884, no vapor italiano Matteo Bruzzo, a cólera se alastrou em caráter epidêmico. Cadáveres foram arrojados à praia em Angra dos Reis.
Vênetos: um povo pacífico com 5.000 anos de história.
[ imagem ] Bandeira Vêneta — povo pacífico com cinco mil anos de história.
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Povo sem História é um povo sem presente e sem futuro.